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O último projeto sustentável de Jobs

24/04/2014

A nova casa da Apple segue a linha de inovação, tecnologia e design da marca, com forte apelo de sustentabilidade. 80% da área construída será coberta por vegetação que inclui de árvores frutíferas a herbário para produção de chás para funcionários e visitantes. O lixo será quase todo reciclado e o teto coberto por células fotovoltaicas para aproveitar a energia solar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“É um pouco parecido com uma nave espacial”, explicou Steve Jobs diante do conselho municipal da cidade de Cupertino, na Califórnia, em 07/06/2011. Já bastante enfraquecido pelo câncer, Jobs reuniu forças para ir pedir à cidade autorização para realizar seu grande sonho: construir uma nova sede para a Apple. Uma sede que fosse elegante, funcional e diferente – o mesmo que os produtos da Apple buscam ser. Depois de reinventar os computadores e os celulares, Jobs queria reinventar os escritórios.

“Nós temos a chance de construir o melhor prédio comercial do mundo”, argumentou. Foi sua última aparição pública. Quatro meses depois, Jobs morreu. No final do ano passado, a cidade finalmente deu permissão para a obra – que é uma das mais ambiciosas de todos os tempos. E caras também. O complexo, que se chama Apple Campus 2, irá custar astronômicos R$ 11,6 bilhões. É três vezes mais do que o Burj Kalifa, em Dubai, prédio mais alto do mundo. E mais do que todos os estádios da Copa 2014 somados (que irão custar R$ 8 bilhões, segundo o último dado oficial).

Para tocar o projeto, a Apple contratou em 2010 o escritório do arquiteto britânico Norman Foster, o Foster + Partners, que tem no currículo obras como o aeroporto de Hong Kong, o novo estádio de Wembley, em Londres, a Hearst Tower, em Nova York, além do projeto de restauração do parlamento alemão, em Berlim. A empresa montou uma equipe de 50 arquitetos, que se reunia a cada três semanas com Jobs para tentar dar forma àquilo que ele tinha em mente. O que ele queria? Uma característica típica dos produtos da Apple: o mínimo possível de emendas. Jobs sonhava com um imenso disco de vidro que parecesse formado por uma só peça. Para atender a esse pedido, os arquitetos procuraram a Seele, uma fábrica alemã de vidros. Ela criou as famosas escadas “invisíveis” presentes em muitas lojas da Apple e também construiu o cubo de vidro que envolve a principal loja da marca, em Nova York.

Não foi uma tarefa fácil. As paredes da nova sede da Apple serão formadas por enormes placas de vidro côncavo com 12 metros de altura cada uma, que serão dispostas lado a lado. No total, serão precisos 6 quilômetros de vidro para formar o anel. A Seele teve que dobrar sua capacidade de produção, e criar uma técnica especial que permita dobrar o vidro sem precisar aquecê-lo, como normalmente é feito. A fachada de vidro será toda construída na fábrica da empresa na cidade de Gersthofen, na Alemanha, e despachada para a Califórnia. “Não há uma única peça de vidro plano em todo o prédio”, se gabou Jobs.

O chefão da Apple se envolveu muito com o projeto, e foi difícil bater o martelo sobre o design final. Ele mudava muito de opinião, repetindo um padrão clássico de comportamento. Jobs sempre foi conhecido por grandes mudanças de ideia – aquilo que um dia era ótimo, no próximo podia virar “merda” (termo que Steve adorava usar). E vice-versa. Inicialmente, o prédio não era circular. Sua forma era alongada, mais parecida com a de um circuito oval de corrida, e ele tinha um grande corredor no meio. Mas um comentário de Reed Jobs, filho de Steve, mudou tudo. Ao ser apresentado ao projeto, o garoto, então com 19 anos, olhou o corredor central e foi franco: “Parece um pênis!”. Na hora, Jobs pai ignorou a observação, mas, no dia seguinte, mandou os arquitetos mudarem completamente o desenho. “Infelizmente, uma vez dito isso, vocês nunca conseguirão tirar a imagem (de um pênis) da minha cabeça”. Foi aí que o prédio evoluiu para sua forma definitiva.

Além do edifício principal, apenas quatro outros elementos serão visíveis: uma entrada para um auditório subterrâneo com capacidade para mil pessoas, um edifício garagem de quatro andares, uma academia e dois laboratórios para a realização de testes (como experiências com as antenas do iPhone).

Fonte: Planeta Sustentável